Informações brevemente...acho eu!!
02/08/09
Ultimas reflexões
Na noite passada saímos do campo base por volta da meia-noite em direcção à face sul do GVI. Uma hora e meia depois, cruzavamos várias acumulações de grandes avalanches recentes. Um encontro bastante perturbador.
Uma hora depois, passámos a fenda da rimaya e rápidamente atingimos o primeiro esporão de rocha. A neve não estava em más condições mas, por debaixo corria água a jorros.
Três e meia da madrugada e a temperatura encontrava-se acima dos zero graus. O céu estava estrelado e o tempo perfeito mas, nos nossos espiritos começavam a surgir as dúvidas... com o calor do novo dia, como iriamos encontrar a neve lá por cima?
Numa parede com cerca de 2000 metros, como iriamos descer se não encontrassemos condições de gelo para montar instalações de rapel?
Era impensável destrepar uma face tão grande como aquela. Este pensamento e uma grande tristeza acompanharam-nos durante a descida de retirada.
Deste modo damos por terminada a expedição sem o sucesso desejado.
Terminamos com um resumo da actividade:
Tinhamos como objectivo principal a escalada do Esporão dos franceses no Gasherbrum II e como objectivo mais ou menos secreto o Gasherbrum VI, com 7004 metros e oficialmente virgem.
O mau tempo constante carregou o GII de neve e impossibilitou uma tentativa realista ao Esporão dos franceses.
No entanto, conseguimos realizar a aclimatação necessária para tentar o GVI. Encontrámos uma possivel linha mais ou menos segura de avalanches na face nordeste da montanha e lançamo-nos a ela.
Escalámos cerca de 800 metros para descobrir uma parede de neve inconsistente, a uns 60 metros da aresta, impossivel de trânspor. Seguiu-se uma sucessão de rapeis e destrepes delicados até à base da parede. Uma aventura que culminou 20 horas depois do seu inicio.
Dias depois decidimos realizar uma tentativa à via normal do GII (uma vez que o Esporão dos franceses era já um assunto esquecido). Subimos ao campo 1 com a intenção de esperar pelo melhor dia de cume. Nesse dia recebemos a noticia que Luis (um amigo espanhol que conheceramos anos antes), desaparecera após uma tardia tentativa de cume no GII. Corria o rumor que tinha caído para a vertente chinesa e que estava morto. As más noticias deixaram-nos perturbados e tristes mas, mantivemos os planos de realizar a nossa tentativa.
Por volta das 21 horas dessa mesma noite foi avistada (também por nós) uma luz de frontal que piscava desde muito alto no GII, na travessia, a cerca de 7700 metros de altitude. Luis estava vivo!
Entre nós e os membros da empresa "Altitude junkies", presentes no campo 1, foi decidida a realização de uma tentativa de resgate. Como sabiamos falar espanhol e inglês, a Daniela e eu voluntariamo-nos para voltar a descer o glaciar até ao campo base de forma a tentar organizar uma equipa de resgate. Infelizmente, uma certa inércia por parte de algumas pessoas e o mau tempo que se instalou nas montanhas nos seguintes dias impediram a subida da ajuda necessária... e o Luis desapareceu para sempre.
Este dramático acontecimento fez desaparecer também a nossa oportunidade e ânimo para voltar a tentar o Gasherbrum II.
Como derradeira tentativa e, depois de "limpar" a nossa tenda do campo 1, voltámo-nos para a face sul do GVI.
O resultado desta incursão encontra-se descrita no inicio deste ultimo relato.
Agora, resta-nos esperar pelos carregadores, para pudermos iniciar o trekking de cerca de 100km do Baltoro, que será o principio do regresso ao "nosso mundo".
Paulo
01/08/09
GVI - aí vamos nós outra vez!!!
Na moreia do campo base reina o silêncio.
Hoje, algumas equipas voltaram a cruzar o glaciar em direcção ao campo 1. Alguns elementos que compartilhavam connosco o campo base rumaram em direcção a Skardu.
Para além do pessoal das agências, restamos na moreia eu, o Paulo e o Dirk, que amanhã inicia o seu regresso a Skardu.Eu e o Paulo mantemos ainda a esperança de tentar o GVI, mas a meteo não está a querer ajudar. Necessitamos de pelo menos um dia de sol antes de iniciarmos a escalada da face de cerca de 2000m que nos separa do cume da montanha que se encontra mesmo à frente dos nossos narizes.
Queriamos sair hoje à noite, mas o dia está cinzento e alguns flocos de neve insistem em aumentar as nossas duvidas e ansiedade. No entanto, preparamos o equipamento para a tentativa... a ultima tentativa.
Será amanhã à noite o inicio de uma fugaz aventura?
As horas tornam-se longas, mas o tempo foge-nos entre os dedos... estranho contra-senso este...
1-08
Esta noite vamos iniciar a segunda tentativa ao Gasherbrum VI.
A parede está calma e as previsões apontam para bom tempo até ao dia 5. Não necessitamos de tanto. Com sorte bastam-nos dois dias e meio para subir e descer a via que imaginámos na face sul do GVI.
Nesta próxima noite iremos testar as condições da neve na vertente. Se a coisa se apresentar favorável e segura continuamos, senão... daremos por terminada a expedição.
Daniela
28/07/09
GASHER-REFLECTIONS (Part 3)
The next hours were frenetic for us, going frombase camp to base camp to check what could be done. John, a canadian guide, immediately ofered his help, and ofered about 6 botles of oxigen that were in C2, in case they would be needed.
The spanish group (with their agency), organized the helicopter that because of the bad weather never came.
So, that morning and that day, nothing else happened except movement on base camp. Nobody went up to C1, but the members of Altitude Junkies stayed there monitorising the situation.
That day it snowed and the visibility to the upper part of GII was zero. The clouds only allowed a short view to the mountain somewhere in the afternoon, and by that time there was no sign of Luis. On the spot he was last seen the night before, it was only snow. Could he be covered by the snow?Could he get down to C4? C3?
Until today, there is no answers.
The day that followed also snowed, and the clouds prevented the helicopter to come, one more time.
It was not posible to go higher than C1 because of the danger of avalanche, so after that second day, the members of Altitude Junkies came down to base camp.
There was no hope anymore.
At the present moment only Jacek Teler could clarify some aspects about what happened to Luis. But Jacek still did not arrive at base camp, as he stayed a few days in C1 and went directly to try GI, where he still is.
Our thoughts and opinions about Luis disapearance:
- Luis and Jacek pushed to summit at very late hours and with too much wind
Daniela/Paulo
26/07/09
GASHER-REFLECTIONS (Part 1 and 2)
(The picture attached is refered to the last post. Arian and Michel, from Altitude Junkies , in C1, with one of the bags of garbage left by some iranians in a crevasse)
GASHER-REFLECTIONS
23-07

Arian and Michael with one of the garbage bags.
24/07/09
De novo no campo base - back to base camp.
This one and probably the next posts will be in english, because we think it's importante that our message gets to more people. Again, we are in base camp, result of a combination of... a tragic happening and bad weather.
Again, there were some attempts to summit GII, by an iranian mountain federation team, one polish man, and one spanish. One more time, nobody got to the real top of the mountain, the highest point from where one can only go down. Still, the iranian team was celebrating the summiting of some members!
How do we know it?
As a result of a truly sad happening, of witch we'll write about on days to come, and because some members of the iranian team told us (and some other people in BC). Aparently they stopped about 50m from the summit, as the summit ridge was sharp and dangerous, and they did not have enough rope to fix and procced to the summit safely.
Still, they deserve congratulations for getting so close in a very windy day.
BUT we also want to congratulate the members of Altitude Junkies for their great attitude: in camp 1, some members of that same iranian team, fixed a rope to acced a crevasse and through inside 2 huge bags of garbage, in front of Altitude Junkies members.
Imidiately, there was an argument about it! 2 days after (today: July, 23) the members of Altitude Junkies went inside the crevasse, recovered the garbage bags, brought them to base camp and emptied them just in front of the iranians mess tent, in silence. The bags contained gas canisters, plastics, all kind of garbage!
Congratulation guys!
About the tragic happening, we'll write soon, when we feel the moment is right.
About what we shall do...at this moment we realy don't know. The weather is unstable, snowing,and again GII is full of snow, dangerous from C2 up. A second possible line on GVI, is also impossible to try at the moment, because of the danger of avalanches.Also, right now, because of the tragic happening, our mind is not absolutely focus on the montains.
Daniela e Paulo
21/07/09
19 e 20 Julho
O já famoso "Jetstream "
Quase toda a gente anda lá para cima, pelos GI e GII, espalhados entre os campos 2 e 3 das respectivas montanhas.
Nós, decidimos ficar pelo campo base e vários nos perguntam: "Why aren`t you up there?". A razão pela qual continuamos aqui por baixo tem a ver apenas com um elemento atmosférico... o vento!
Quase todas as previsões apontavam para ventos muito fortes em altitude para os presentes dias. No entanto, o céu claro animou muita gente a realizar uma tentativa de cume. Hoje, pelo menos no GI, ouvimos falar de uma intenção de cume mas, um inesperado nevão a juntar ao anunciado vento intenso impediram a saída dos alpinistas. Aparentemente, a retirada será inevitável, pelo menos nos próximos dias, aliás, vários regressam já ao campo base e outros abandonam os campos mais altos.
Com a esperança que o tempo melhore para o fim da semana, apontamos para sair na madrugada do dia 21, em direcção ao Gasherbrum II. Assim, talvez tenhamos uma oportunidade de cume lá para os dias 24 ou 25. Pelo menos, esse é o plano actual, de acordo com as ultimas novas da meteo!
20-07
Será desta?
Finalmente parece estar a chegar a hora de deixar o campo base. A tão esperada aberta está prevista para o final da semana. Corre a palavra de que nos dias 24 e 25 estará bom tempo. Assim, para que haja uma real possibilidade de escalar o GII, "basta" que até esta data não caia um grande nevão, algo que complicaria a subida entre o campo 2 e o 3.
Com estas perspectivas e cheios de ilusão, amanhã cruzaremos o glaciar em direcção ao campo 1 e "Inshala" lá para os dias 24 ou 25...
Daniela e Paulo
18/07/09
Gasherbrum GVI - A DESCIDA
Na verdade, já não existia qualquer urgência em termos de tempo. Agora, o primordial era descer em segurança, independentemente das horas necessárias.
Os rapeis foram-se sucedendo, geralmente com instalações em "Abalakovs" (pontes de gelo) e algum que outro piton de rocha, apesar da dificuldade em encontrar bons locais onde montar reuniões.
A meio da via, realizamos alguns destrepes assegurados e, finalmente, ao anoitecer, alcançamos as rampas menos inclinadas da base da vertente.
A neve encontrava-se agora nas piores condições e enterravamo-nos até ao joelho e ás vezes até à cintura. De qualquer modo, já não importava, pois já nos encontravamos a salvo.
Ás 21.30, chegámos à tenda, cerca de 20 horas depois de iniciar a aventura.
O dia seguinte foi de descanso e programámos para o outro dia uma subida ao campo II do GII, para melhorar a nossa aclimatação. Mas, uma hora depois de sair da tenda, as nossas pernas não pareciam concordar com a nossa vontade e retornámos pelos nossos passos. Pelo visto, ainda estavamos muito cansados da nossa tentativa.
Descemos até ao campo base, sob um nevão e nevoeiro, apenas guiados pelos vestigios do trilho no glaciar. A hora da descida não foi a melhor, pelo que de vez em quando, as nossas pernas descobriam novas crevasses!
Até à data, ninguém, com a excepção de Ueli Steck, atingiu algum cume por aqui. O tempo não tem estado muito famoso, as montanhas estão bastante carregadas de neve e as ultimas previsões apontam para ventos da ordem dos 120 km em altitude para os próximos dias.
Quanto a nós, para já, apontamos em direcção à via normal do GII. A quantidade de neve não nos permite realizar uma tentativa de confiança ao "Esporão dos Franceses", por isso, somos forçados a mudar de objectivo.
Depois, com sorte, talvez ainda nos sobre tempo para uma nova tentativa ao GVI... talvez...
Daniela e Paulo
17/07/09
Gasherbrum VI - A SUBIDA (tentativa)
Ontem, o mau tempo não permitiu carregar a bateria do PDA, por isso, "no news".
Os ultimos 2 dias foram já passados no campo base, após uma tentativa infrutifera ao GVI. Então a história reza assim...
Dia 11, com a ideia de que nos dois dias seguintes estaria bom tempo, saimos do campo base em direcção ao "Campo Esperança", uma tenda que deixámos montada algures a meio do glaciar, bem perto da face do GVI que pretendiamos escalar. Pelas 2 da manhã de dia 12, começou uma longa jornada, que teria o seu final, após quase 20 horas de continua acção, pelas 21:30. Saimos do "Campo Esperança" iluminados pela lua, o que fazia pensar que o bom tempo se íria confirmar. Em cerca de 10 minutos, a suave inclinação do glaciar ficou para trás e de repente eramos dois pequenos pontos que pisavamos terreno que nunca antes tinha sentido a preseça humana. Aquela montanha com que tanto sonhamos pareceu de imediato aceitar a nossa presença, a neve estava em condições bastante aceitáveis, o que nos permitiu uma progressão que, nas primeiras horas nos pareceu surpreendentemente rápida. Lá em baixo, no glaciar, vários pontinhos luminosos avançavam em direcção ao campo 1, soubemos mais tarde que esses pontinhos viam também a luz projectada pelos nossos frontais, já na segunda metade da face que escalávamos com alegria. A pendente começou com uns 55° e acentuou-se à medida que subiamos. Progrediamos em "ensamble", colocando algumas protecções aqui e ali, quando o terreno o permitia, um ou outro parafuso de gelo, um ou outro piton em rocha, por vezes protecções confiáveis, por vezes puramente...psicológicas!
A cerca de metade da face, a pendente acentuou-se. As condições do terreno, que com o avançar das horas se foram tornando mais precárias (neve menos consistente), forçaram-nos em certos trechos a montar reuniões, atrasando assim a escalada. Perto das 5 da manhã, quando começaram a surgir os primeiros traços de claridade, tinhamos bem mais de metade da face por debaixo dos nossos crampons, o que nos fez acreditar que pouco depois do nascer do dia conseguiriamos atingir a longa aresta que dá acesso ao cume. Mas o surgir do dia, trouxe consigo duas surpresas, a temperatura subiu bastante e como consequencia, a qualidade da neve e pouco gelo que existia, tornou-se cada vez mais precária.Também a meteorologia nos surpreendeu, o que era suposto ser um bom dia, surgia como um céu sem sol, a despejar incómodos flocos de neve. Percebia-se que o sol queria sair, mas as nuvens que nos envolviam insistiam em dificultar-lhe essa tarefa. De repente, a escalada tornava-se cada vez mais dura, maiores inclinações num terreno cada vez menos confiável e claro... o tempo necessário para ganhar metros à montanha era cada vez maior.
Meio-dia, a aresta parecia estar mesmo ali, mas as dimensões enganavam-nos.Os 65° que a pendente agora oferecia, iam ainda acentuar-se! As modestas cornijas vistas do glaciar eram agora enormes tectos de neve, que de quando em vez deixavam cair pequenos troços de gelo. Pequenas avalanches provocadas pelo calor e algumas rochas que se soltavam e zumbiam devido à velocidade, provocavam um stress cada vez maior. O grau de confiança... esse começava a descer. Apesar de muito perto, talvez a cerca de 100m da aresta (e com mais de 700 metros de ascensão cumpridos), a tarefa de a atingir parecia cada vez mais complicada. Olhamos em volta com ideia de montar a tenda, ainda sem saber muito bem se o objectivo do dia seguinte seria continuar, mas à nossa volta, tudo era terrivelmente empinado e exposto, pelo que fomos forçados a admitir que ou iamos para cima... ou para baixo!
- "Paulo, sobe lá mais um bocado, até áquelas rochas, pode ser que dê!"
Apenas mais dois largos de escalada e estariamos na aresta. Numa desconfortável reunião de dois parafusos de gelo, eu asseguráva e o Paulo tentava progredir numa pendente de 70° de gelo de fraca qualidade.
- "Acho que não vou conseguir".
Um segundo depois, vejo o piolet que tinha na mão esquerda a enterrar-se num troço de neve que se desfez como areia. Acima das nossas cabeças erguiam-se uns pequenos esporões de neve vertical perfeitamente inconsistente, resultado da acumulação provocada pelos ventos constantes que sopram do lado oposto da montanha. A culminar esses esporões, algumas cornijas complicavam ainda mais a saída para a tão desejada aresta. Tornara-se impossivel tanto progredir, como proteger.
O resultado do esforço estava à vista: teriamos de descer!
(continua)
Daniela Teixeira


Paulo no Gasherbrum VI
15/07/09
De regresso ao Campo Base
Também descreveram o panorama das condições das montanhas circundantes (e basta dar uma volta aqui pela web para ver que esta temporada no Baltoro alpinistas nos cumes são quase nulos) que estão extremamente carregadas de neve de pouca consistencia.
Amanhã vão tentar colocar aqui um post a relatar as vivencias dos últimos dias.
10/07/09
GASHERBRUM VI (G6)
Após uma estadia relativamente longa no Campo Base, e apesar do principal objectivo anunciado para esta expedição ser a ascensão na via «Esporão dos Franceses» no Gasherbrum II (8035 mts), à saída de Portugal havia um segundo objectivo menos divulgado: a primeira ascensão ao “virgem” cume do Gasherbrum VI (7004 mts).
O Gasherbrum VI (GVI), é um vizinho dos gigantes G I e G II e do belo e inigualável G IV. Tem cerca de 7004 metros de altitude e nunca antes foi oficialmente escalado. Algumas foram as expedições que tentaram esta codiciada primeira ascensão, mas sem sucesso até à data. Por incrível que pareça, nunca ninguém pisou este cume!
Neste momento, a Daniela e o Paulo estão em plena tentativa de abertura da primeira via ao cume desta grandiosa montanha.
Seguramente será um êxito!!!
Apesar das escassas informações, em principio esta tentativa decorre sobre a face Nordeste do G VI e sua aresta final (a confirmar!)
Daniela and Paulo are trying now the first ascent of the unclimbed Gasherbrum VI peak.
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26/06/09
Aclimatação - Primeira incursão ao campo 1
3 da madrugada. Um frio moderado acompanha a nossa saída do campo base em direcção ao campo 1, ou base avançado. Atravessamos o enorme glaciar que vence quase mil metros de desnivel. Formamos uma cordada de três. Acompanha-nos Dirk, um simpático alemão que se juntou a nós para cruzar o glaciar em segurança.
Dias antes, uma equipa internacional, com o objectivo de abrir uma nova via no Gasherbrum III, tinha já marcado todo o trilho. Foi um trabalho que lhes ocupou vários dias, devido a desfavoráveis condições de neve e às labirinticas caracteristicas do glaciar.
Aqui fica o nosso agradecimento a esta equipa, que facilitou imenso o acesso, a todos os que pretendem escalar os Gasherbrums.
Relativamente ao ano passado, o glaciar encontra-se (por enquanto) em optimas condições. Não sentimos saudades nenhumas dos ameaçadores blocos de gelo outrora pendiam sobre as nossas cabeças, nem das grandes crevasses, que punham à prova as nossas capacidades atléticas (e mentais!).
Nesta primeira incursão, demoramos sete horas para alcançar o campo 1.
Para curar a caminhada e relembrar a nossa tão rica gastronomia, juntamos ao corriqueiro chá, um belo naco de salpicão. Como se tal não fosse absolutamente compensador, um salmão em molho de tomate e basílio acalmou as nossas mentes (e estômagos) famintos.
A noite não tardou em chegar e decorreu com normalidade, entenda-se normalidade como: a Daniela em (quase) perfeitas condições (não se livrou de uns ataques de tosse, residuos da crise de sinusite) e eu com uma clássica dor de cabeça!
Por volta das cinco da manhã, com o frio a morder-nos os ossos, retornámos ao campo base, onde chegamos muito a tempo de tomar o pequeno-almoço. É incrivel, como as longas sete horas para subir, se transformaram em escassas duas e meia para regressar!
Cá por baixo, voltamos a dedicar-nos à vidinha fácil de campo base, preparando desta forma a próxima etapa da aclimatação, antes de tentar escalar... qualquer coisa!
23/06/09
CAMPO BASE
Que bem que sabe o descanso por estas bandas, e que bem que sabe utilizar novamente o nariz para respirar. As recuperações a esta altitude são mais demoradas mas cremos que estamos com as condições mínimas para darmos um “pulinho” ao Campo Base Avançado ou Campo 1.
Pois é, amanhã por volta das três da madrugada vamos rever o enorme pedaço de gelo que nos separa da verdadeira base do GII, aquele labirinto gigante que outrora tanto tempo e atenção nos absorveu. Desta vez temos uma pequena vantagem, outros já trilharam o caminho com o que, com sorte, basta-nos seguir o rasto de “crampons” e não perder as bandeirolas de vista. Mas, não nos devemos safar a umas boas 7 ou 8 horas até atingir-mos o lugar para repousar os ossos aos cerca de 6000 metros.
Connosco irá também um Alemão com quem partilhamos o Campo Base. Conhecemos já um pouco a peça e faremos seguramente uma divertida cordada de três… o numero que Deus fez!
A meteorologia adivinha-se favorável para os próximos dias, tal como esteve nos dois últimos. Os raios com que o sol nos tem brindado são essenciais para secar o “cuecame”!!!
Daniela e Paulo
21/06/09
Gore II-Shangri-Campo base
Em Gore II mais um acordar sob um gélido manto de neve... Gélido o suficente para os carregadores se recusarem a avançar. Assim, fomos forçados a ter um dia extra de repouso.
A caminhada de dia 19, entre Gore II e Shangri aos 4700 metros, poderia ter decorrido normalmente, se não nos tivessem enchido os cantis com água com um insuportável sabor estranho.
Incompreensivelmente, o nosso staff colocou a água para beber num barril onde antes estivera combustivel, pelo que esta ganhou um inconfundivel sabor a petróleo. A consequencia foram três horas de caminhada a seco com toda a gente a reclamar em Concordia, onde por força das reclamações conseguimos obter alguns liquidos.
Pós Concordia,até ao campo de Shangri, para mim (Daniela) a coisa foi penosa, nem as belas vistas sobre as montanhas foram suficientes para atenuar uma terrivel dor de garganta, presságio de uma grande crise de sinusite!
Entre Shangri e o campo base é que foram elas: um misto entre a desidratação e intoxicação do dia anterior, à mistura com o efeito dos medicamentos contra a sinusite e com a própria sinusite, transformaram o trek final numa verdadeira odisseia, especialmente nas primeiras horas da manhã. Pouco a pouco, fui melhorando, mas ainda assim, o que deveria ter sido uma simples caminhada de 2,5h, transformou-se numa tortuosa viagem de 4h.
O resto do dia, foi para merecido descanso, assim como o dia de hoje...nada melhor para começar a recuperar da narigota inflamada!
O Paulo?
Está muito bem e recomenda-se!
Espero estar como ele dentro de um ou dois dias, para fazermos a primeira incursão no glaciar e assim iniciarmos oficialmente o processo de aclimatação.
17/06/09
Paiju-Urdukas-Gore II
16 e 17-06-2009
Paiju-Urdukas-Gore II
Ontem foi o dia mais longo, de Paiju a Urdukas, 6,5h.
O mau tempo teima em acompanhar-nos e desta presenteou-nos com névoa e flocos de neve. As frescas roupas do ano passado, deram lugar a forros polares e pela noite, a casacos de penas!
As montanhas observam-nos agora com um aspecto invernal, fora do comum nesta altura do ano.
Hoje tivemos um surpreendente acordar. O campo de Urdukas, aos 4000m, despertou sob um fino véu de neve, suficiente para desmotivar os carregadores a iniciar a sua marcha. Finalmente, por volta das 8 da manhã, os mais fortes decidiram-se a começar a marcha motivando os restantes a avançar.
Em poucos instantes, formou-se uma mega caravana de carregadores, salpicados pelos coloridos alpinistas, que se dirigem para os Gasher's e Broad Peak (talvez alguns para o K2).
Desta não tivemos direito às fabulosas vistas sobre o Masherbrum.
Quanto a mim (Paulo), quero deixar uma beijoca de parabéns à Daniela (mesmo aqui ao lado), que faz hoje anos.
Confesso que é a primeira vez que vejo nevar no meu dia de anos!
A caminho de Urdukas, Trango
A chegar a Urdukas, Catedrais do Baltoro
A caminho de Goro II, Masherbrum
Gasherbrum IV
15/06/09
Skardu-Askole-Johla-Paiju
12 a 15-06-2009
Tudo este ano está diferente, o comum com 2008 é apenas o percurso.
Entre Skardu e Askole, a viagem decorreu com uma inesperada tranquilidade e um inesperado conforto, mas... ao contrario do ano passado, já não somos dos primeiros da época, outras expedições coincidem com a nossa nas jornadas até à base das montanhas.
Os 40 carregadores de 2008, são hoje mais de 500, repartidos pelos diversos grupos. Encontramos Askole, Jhola e Paiju, transformados num antro de tendas e confusão, apesar de dizerem que este ano, o assédio ao Karakorum é muito inferior.
Longe vai a tranquilidade do ano passado.
A temperatura, está bastante mais baixa, desta vez ideal para caminhar.
Os picos, bastante mais nevados, o que faz despertar a nossa curiosidade... qual o aspecto dos Gasherbrum`s?
Desta, em Paiju houve realmente a tradicional e barulhenta festa de carregadores, à qual se juntaram alguns ocidentais.
Hoje, descanso merecido, não pelo cansaço físico, mas pela cabeça pesada, resultado da ultima noite de barafunda!
14/06/09
12/06/09
11/06/09
09/06/09
A Islamabad já chegámos, após longas horas de voo, esperas nos aeroportos...e alguma fome :).
Ainda com o sono...mal amanhado, vamos sair daqui para Skardu ainda esta noite de carro (...que azafama!). A ideia é fazer a viagem directamente até Skardu, ou seja, esperam-nos cerca de 26h de viagem pela Karakorum Highway (que de verdadeira highway não tem nada!) até à capital do Baltistão.
Depois, está prometido um dia de semi-descanso e duas noites para recompor os sonos.
Curiosa foi a nossa passagem pelo aeroporto de Londres, em que ao pequeno almoço, as primeiras palavras que escutamos foram em português "ouve lá, não sou nenhuma palhaça", dizia uma das pessoas que estava a servir para um outro! Claro que ao ouvir isto, em vez do tradicional "Excuse me", recorremos ao "Por favor"...muita sorte não dizermos "Olha lá, ò meu!".
Por agora é tudo, mais novidades de Skardu...em princípio.
Até breve...



