15/07/09
De regresso ao Campo Base
Também descreveram o panorama das condições das montanhas circundantes (e basta dar uma volta aqui pela web para ver que esta temporada no Baltoro alpinistas nos cumes são quase nulos) que estão extremamente carregadas de neve de pouca consistencia.
Amanhã vão tentar colocar aqui um post a relatar as vivencias dos últimos dias.
10/07/09
GASHERBRUM VI (G6)
Após uma estadia relativamente longa no Campo Base, e apesar do principal objectivo anunciado para esta expedição ser a ascensão na via «Esporão dos Franceses» no Gasherbrum II (8035 mts), à saída de Portugal havia um segundo objectivo menos divulgado: a primeira ascensão ao “virgem” cume do Gasherbrum VI (7004 mts).
O Gasherbrum VI (GVI), é um vizinho dos gigantes G I e G II e do belo e inigualável G IV. Tem cerca de 7004 metros de altitude e nunca antes foi oficialmente escalado. Algumas foram as expedições que tentaram esta codiciada primeira ascensão, mas sem sucesso até à data. Por incrível que pareça, nunca ninguém pisou este cume!
Neste momento, a Daniela e o Paulo estão em plena tentativa de abertura da primeira via ao cume desta grandiosa montanha.
Seguramente será um êxito!!!
Apesar das escassas informações, em principio esta tentativa decorre sobre a face Nordeste do G VI e sua aresta final (a confirmar!)
Daniela and Paulo are trying now the first ascent of the unclimbed Gasherbrum VI peak.
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26/06/09
Aclimatação - Primeira incursão ao campo 1
3 da madrugada. Um frio moderado acompanha a nossa saída do campo base em direcção ao campo 1, ou base avançado. Atravessamos o enorme glaciar que vence quase mil metros de desnivel. Formamos uma cordada de três. Acompanha-nos Dirk, um simpático alemão que se juntou a nós para cruzar o glaciar em segurança.
Dias antes, uma equipa internacional, com o objectivo de abrir uma nova via no Gasherbrum III, tinha já marcado todo o trilho. Foi um trabalho que lhes ocupou vários dias, devido a desfavoráveis condições de neve e às labirinticas caracteristicas do glaciar.
Aqui fica o nosso agradecimento a esta equipa, que facilitou imenso o acesso, a todos os que pretendem escalar os Gasherbrums.
Relativamente ao ano passado, o glaciar encontra-se (por enquanto) em optimas condições. Não sentimos saudades nenhumas dos ameaçadores blocos de gelo outrora pendiam sobre as nossas cabeças, nem das grandes crevasses, que punham à prova as nossas capacidades atléticas (e mentais!).
Nesta primeira incursão, demoramos sete horas para alcançar o campo 1.
Para curar a caminhada e relembrar a nossa tão rica gastronomia, juntamos ao corriqueiro chá, um belo naco de salpicão. Como se tal não fosse absolutamente compensador, um salmão em molho de tomate e basílio acalmou as nossas mentes (e estômagos) famintos.
A noite não tardou em chegar e decorreu com normalidade, entenda-se normalidade como: a Daniela em (quase) perfeitas condições (não se livrou de uns ataques de tosse, residuos da crise de sinusite) e eu com uma clássica dor de cabeça!
Por volta das cinco da manhã, com o frio a morder-nos os ossos, retornámos ao campo base, onde chegamos muito a tempo de tomar o pequeno-almoço. É incrivel, como as longas sete horas para subir, se transformaram em escassas duas e meia para regressar!
Cá por baixo, voltamos a dedicar-nos à vidinha fácil de campo base, preparando desta forma a próxima etapa da aclimatação, antes de tentar escalar... qualquer coisa!
23/06/09
CAMPO BASE
Que bem que sabe o descanso por estas bandas, e que bem que sabe utilizar novamente o nariz para respirar. As recuperações a esta altitude são mais demoradas mas cremos que estamos com as condições mínimas para darmos um “pulinho” ao Campo Base Avançado ou Campo 1.
Pois é, amanhã por volta das três da madrugada vamos rever o enorme pedaço de gelo que nos separa da verdadeira base do GII, aquele labirinto gigante que outrora tanto tempo e atenção nos absorveu. Desta vez temos uma pequena vantagem, outros já trilharam o caminho com o que, com sorte, basta-nos seguir o rasto de “crampons” e não perder as bandeirolas de vista. Mas, não nos devemos safar a umas boas 7 ou 8 horas até atingir-mos o lugar para repousar os ossos aos cerca de 6000 metros.
Connosco irá também um Alemão com quem partilhamos o Campo Base. Conhecemos já um pouco a peça e faremos seguramente uma divertida cordada de três… o numero que Deus fez!
A meteorologia adivinha-se favorável para os próximos dias, tal como esteve nos dois últimos. Os raios com que o sol nos tem brindado são essenciais para secar o “cuecame”!!!
Daniela e Paulo
21/06/09
Gore II-Shangri-Campo base
Em Gore II mais um acordar sob um gélido manto de neve... Gélido o suficente para os carregadores se recusarem a avançar. Assim, fomos forçados a ter um dia extra de repouso.
A caminhada de dia 19, entre Gore II e Shangri aos 4700 metros, poderia ter decorrido normalmente, se não nos tivessem enchido os cantis com água com um insuportável sabor estranho.
Incompreensivelmente, o nosso staff colocou a água para beber num barril onde antes estivera combustivel, pelo que esta ganhou um inconfundivel sabor a petróleo. A consequencia foram três horas de caminhada a seco com toda a gente a reclamar em Concordia, onde por força das reclamações conseguimos obter alguns liquidos.
Pós Concordia,até ao campo de Shangri, para mim (Daniela) a coisa foi penosa, nem as belas vistas sobre as montanhas foram suficientes para atenuar uma terrivel dor de garganta, presságio de uma grande crise de sinusite!
Entre Shangri e o campo base é que foram elas: um misto entre a desidratação e intoxicação do dia anterior, à mistura com o efeito dos medicamentos contra a sinusite e com a própria sinusite, transformaram o trek final numa verdadeira odisseia, especialmente nas primeiras horas da manhã. Pouco a pouco, fui melhorando, mas ainda assim, o que deveria ter sido uma simples caminhada de 2,5h, transformou-se numa tortuosa viagem de 4h.
O resto do dia, foi para merecido descanso, assim como o dia de hoje...nada melhor para começar a recuperar da narigota inflamada!
O Paulo?
Está muito bem e recomenda-se!
Espero estar como ele dentro de um ou dois dias, para fazermos a primeira incursão no glaciar e assim iniciarmos oficialmente o processo de aclimatação.
17/06/09
Paiju-Urdukas-Gore II
16 e 17-06-2009
Paiju-Urdukas-Gore II
Ontem foi o dia mais longo, de Paiju a Urdukas, 6,5h.
O mau tempo teima em acompanhar-nos e desta presenteou-nos com névoa e flocos de neve. As frescas roupas do ano passado, deram lugar a forros polares e pela noite, a casacos de penas!
As montanhas observam-nos agora com um aspecto invernal, fora do comum nesta altura do ano.
Hoje tivemos um surpreendente acordar. O campo de Urdukas, aos 4000m, despertou sob um fino véu de neve, suficiente para desmotivar os carregadores a iniciar a sua marcha. Finalmente, por volta das 8 da manhã, os mais fortes decidiram-se a começar a marcha motivando os restantes a avançar.
Em poucos instantes, formou-se uma mega caravana de carregadores, salpicados pelos coloridos alpinistas, que se dirigem para os Gasher's e Broad Peak (talvez alguns para o K2).
Desta não tivemos direito às fabulosas vistas sobre o Masherbrum.
Quanto a mim (Paulo), quero deixar uma beijoca de parabéns à Daniela (mesmo aqui ao lado), que faz hoje anos.
Confesso que é a primeira vez que vejo nevar no meu dia de anos!
A caminho de Urdukas, Trango
A chegar a Urdukas, Catedrais do Baltoro
A caminho de Goro II, Masherbrum
Gasherbrum IV
15/06/09
Skardu-Askole-Johla-Paiju
12 a 15-06-2009
Tudo este ano está diferente, o comum com 2008 é apenas o percurso.
Entre Skardu e Askole, a viagem decorreu com uma inesperada tranquilidade e um inesperado conforto, mas... ao contrario do ano passado, já não somos dos primeiros da época, outras expedições coincidem com a nossa nas jornadas até à base das montanhas.
Os 40 carregadores de 2008, são hoje mais de 500, repartidos pelos diversos grupos. Encontramos Askole, Jhola e Paiju, transformados num antro de tendas e confusão, apesar de dizerem que este ano, o assédio ao Karakorum é muito inferior.
Longe vai a tranquilidade do ano passado.
A temperatura, está bastante mais baixa, desta vez ideal para caminhar.
Os picos, bastante mais nevados, o que faz despertar a nossa curiosidade... qual o aspecto dos Gasherbrum`s?
Desta, em Paiju houve realmente a tradicional e barulhenta festa de carregadores, à qual se juntaram alguns ocidentais.
Hoje, descanso merecido, não pelo cansaço físico, mas pela cabeça pesada, resultado da ultima noite de barafunda!


